Tag Archives: especiarias

Marraquexe – a cidade vibrante

23 Jul

Os feriados de Junho levaram-nos ao Norte de África e a uns dias de descanso em Marraquexe, a cidade Vermelha. Embora aqui tão perto, Marraquexe tem o exotismo das terras longínquas, das viagens distantes – esta é , como poucas, uma cidade que nos transporta para outra dimensão, com uma dinâmica incrível, e em que todos os nossos sentidos são imediatamente postos à prova. Dentro da medina as ruas labirínticas fazem-nos perder. Pessoas, bicicletas, motos e carros circulam pelas ruas num caos, que quase parece organizado (na realidade, parte deste caos é organizado – é suposto caminhar a pé pela direita…). Das mesquitas ouvem-se as orações islâmicas. Nos souks (mercados) misturam-se as cores e os cheiros das peles, do artesanato e das especiarias. Aqui tudo se vende, tudo se negoceia. Mas é na praça Jenma El-Fna que toda a intensidade vibrante de Marraquexe atinge o auge. Aqui misturam-se músicos, encantadores de serpentes, macacos amestrados dançarinos e contadores de histórias. Jogos inesperados surgem à nossa frente. Nos terraços dos vários cafés e restaurantes que circundam a praça bebe-se um chá de menta e avista-se o pôr-do-sol. E nas bancas de comida que surgem ao final do dia na praça, provam-se as iguarias marroquinas.

group1

Como os sabores são a nossa paixão, não perdemos a oportunidade de fazer um workshop de cozinha marroquina durante a nossa estadia em Marraquexe. O workshop decorreu na La Maison Arabe – a mais antiga riad (casa típica marroquina caracterizada por possuir jardins ou pátios interiores) de Marrocos – que ficava mesmo ao lado da riad onde estávamos instalados.

IMG_2112

O workshop durou cerca de 3 horas, mas deu para perceber as principais características da cozinha marroquina. A Wada, a nossa mentora, começou por nos dar uma breve introdução da base da cozinha de Marrocos, que resulta da fusão entre as cozinhas berbere, árabe, judaica e moura. As tajines e os couscous estão entre os pratos mais característicos desta cozinha. O pão é um alimento essencial e que acompanha todos os pratos. A única excepção é mesmo o couscous. (Nós, como gostámos muito do pão, acabámos por comê-lo também com os couscous para espanto dos senhores que nos serviam…) As pastillas, feitas à base de uma massa de amêndoa que depois é recheada (geralmente com carne), são também típicas da culinária marroquina. E por fim, as panquecas (ou crepes), que não são nada mais do que uma massa à base de farinha, água e sal, pode ser comida simples ou recheada. Aqui provámos um crepe recheado e um simples, e estavam bem bons!

Depois seguimos para a cozinha onde à nossa espera estava a dada, que é como quem diz a chef tradicional marroquina. Já na cozinha a dada começou por nos explicar e mostrar como se faz o pão marroquino. Sempre feito à base de farinha, água, açúcar, fermento, sal e óleo vegetal. Todos tivemos oportunidade de meter as mãos na massa e amassar o pão, que ficou depois a levedar até ser hora de ser cozido.

De seguida aprendemos como se prepara o chá de menta – chá verde, água quente, folhas de hortelã e açúcar (muito açúcar!). Os sabores do chá verde são extraídos em duas etapas: uma primeira que dura cerca de 3 minutos, e da qual se aproveita a água para o chá; na segunda, que dura mais alguns minutos e que serve para tirar o “amargo” do chá, a água é rejeitada. Depois do chá preparado, foi tempo de prová-lo.

Uma pausa na cozinha levou-nos a um forno comunitário. Os fornos comunitários são os locais onde as pessoas vão cozer a massa de pão que prepararam em casa. A responsabilidade da pessoa que coze os pães é muita: deve saber a quem pertence cada pão que coloca no forno (e olhem que são cerca de 50 pães de cada vez!), dado que cada família tem a sua forma de preparar o pão.

Tivemos também a oportunidade de cheirar algumas das especiarias e aromas típicos da cozinha marroquina. Entre elas: ras el hanout (uma mistura de especiarias), gengibre, cominhos, açafrão, pimenta, água de rosas e água de flor de laranjeira.

Já de volta à cozinha e com o pão já continuámos a preparar o nosso almoço: tajine de borrego com ameixas secas e duas saladas.

A tajine foi preparada simplesmente com borrego, cebola, coentros, um fio de azeite, água e muitas especiarias. As especiarias, cominhos, paprika, canela e açafrão, deram-lhe o toque exótico. Ficou ao lume durante cerca de uma hora, até a carne estar cozinhada e ter absorvido todos os sabores.

Enquanto a tajine cozinhava, preparámos as saladas: uma de beringela e tomate, e outra de pimento assado e tomate.

A parte mais difícil: sem dúvida as rosas decorativas. São feitas com a pele dos tomates e não é nada fácil fazer uma rosa bonita. De qualquer modo, para orgulho nacional, o prémio da “rosa mais bonita” do curso veio connosco!

???????????????????????????????

No fim foi altura de saborear, à beira da piscina, os deliciosos pratos que preparámos durante esta manhã animada. Tivemos ainda como surpresa uma sobremesa: uma espécie de mil-folhas de gelado – pequenas folhas de uma massa estaladiça, com gelado de água de flor de laranjeira, salpicadas com frutos secos.

(Desculpem não haver fotos dos pratos finais, mas aqui já estávamos distraídos a saboreá-los e esquecemo-nos de tirar fotos!)

E para a despedida, um diploma de curso e duas tajines para fazer os pratos marroquinos cá por casa. Ainda não foram experimentadas, mas quando forem fica prometida a receita!

Anúncios

Chai Tradicional

22 Jan

chai

Só há um par de anos terei descoberto aquele que é para mim o chá mais delicioso do Mundo.

Quando me foi oferecido fiquei intrigado, porque é muito diferente do que estava à espera…não havia sido avisado que o que estava prestes a saborear era uma bebida tradicional indiana que combina chá, leite, água e muitas especiarias.

Na realidade o chai (ou masala chai) é sinónimo de chá com especiarias, tradicional da Índia, e com muitas variações no que respeita às especiarias utilizadas. Algumas lendas referem o aparecimento deste chá há mais de 9000 anos, outras referem 5000 anos.  Há também dúvidas se a origem foi efectivamente na Índia, ou na Tailândia. Terá sido criada como sendo uma bebida revigorante, de limpeza e ayurvédica.

Trata-se de um chá quente, robusto, picante e misterioso, perfeitamente adequado para um lanche à tarde no sofá para enfrentar o frio, ver a chuva e ouvir o vento que nos chegam nesta altura do ano…

Ingredientes ( para 2 chávenas de chai):

-1.5 chávena de água
– 1 chávena de leite
– 3 colheres de chá de folhas de chá preto de qualidade
– 3 fatias finas de gengibre descascado (*)
– Sementes de 4 vagens de cardamomo, esmagadas / moídas
– 1 pau de canela, esmagado / moído
– 4 cravinhos esmagados / moídos
– 4 grãos de pimenta preta esmagados / moídos (*)
– Açucar a gosto

(*) o “picante” presente no chai pode ser ajustado, reduzindo ou aumentando as quantidades de pimenta preta e gengibre

Preparação:

Juntar o leite, água, folhas de chá preto, gengibre e as especiarias moídas numa panela e aquecer em lume médio e ir mexendo até levantar fervura
Reduzir para lume baixo, e continuar a mexer durante 10 minutos (tomar especial atenção à possibilidade de a bebida transbordar a panela, caso o lume esteja muito alto, ou não se misture continuamente). A ideia é evaporar parte da água, à medida que a bebida vai absorvendo os aromas das especiarias.
Filtrar a bebida num coador para eliminar as especiarias e o gengibre.
Adicionar açúcar a gosto.
Saborear e começar a planear uma visita à Índia…

123 Lets Cook!

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

Mesa Marcada

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

http://blog.foodzai.com/

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

Three Fat Ladies

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

Technicolor Kitchen

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

Tartelette

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

Sabores da Alma

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

Pratos e Travessas

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

Outras Comidas

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

no soup for you

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

Lume Brando

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

In the mood for food

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

gourmets {amadores}

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

Receitas - From our home to yours - Português

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

figo lampo

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

Elvira's Bistrot

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

De Cozinha em Cozinha passando pela Minha

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

Cozinha com tomates

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

come-se

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

Cinco Quartos de Laranja

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

Cannelle et Vanille

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

Baunilha e Caramelo

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

As Minhas Receitas

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

Ardeu a padaria

viagens pelo mundo dos sabores sem sair de casa...

Caos na Cozinha

Experiências de uma cozinheira amadora, que gosta de experimentar coisas novas e tem muito jeito para a recriação de cenários de guerra na cozinha

%d bloggers like this: